Águida Hettwer Poesia & Art
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A violência dissimulada contra a mulher
 
 
   A violência é um fenômeno universal e principalmente a violência doméstica tem atingido grande número de mulheres e muitas vezes de forma insana, silenciosa e dissimulada. Este fenômeno infelizmente se alastra entre todas as classes sociais e em todas as sociedades, não escolhe nível social ainda que os mais elevados, são menos contabilizados entre as denúncias. O medo, o pavor, a vergonha, a pressão, fatores econômicos de dependência em relação ao agressor, dinâmica conjugal doentia, são as principais causas motivadoras que impedem a denúncia dos agressores.
   
      A violência tem determinantes históricos e estruturais e não se conhece nenhuma sociedade onde a violência não tenha deixado seu rastro de sangue, tristeza, dor e muitas vítimas até mesmo incapacitantes. A violência doméstica é uma forma covarde, ogra, primitiva, sem o uso da razão, uma “linguagem” obscena de comunicação entre humanos, a saber, o lar, a casa, onde deveria perpetuar segurança, afeto, diálogos, muitas vezes, são cenários de guerra – a brutalidade vence.
 
  Ambientes hostis, onde seus componentes costumam se agredir verbalmente e fisicamente favorece a uma visão de naturalismo da violência. Por exemplo, se os filhos crescem presenciando violência entre seus pais, estes, reproduzem a violência nos filhos, e os filhos entre os irmãos, num círculo vicioso. Portanto, a linguagem conhecida da violência passa a não ser entendida como desamor, desrespeito e sim um “modelo”, um padrão a ser repetido, de submeter ao outro a parâmetros violentos aprendidos na infância.
 
    Crianças que sofrem e presenciam violência na infância, podem se tornar adultos inseguros, sem crítica a padrões de violência entre os pares e dificuldades de estabelecer relações positivas, assertivas e sadias.
 
    Por muito tempo culturalmente escutamos de que em briga de casal não se deve intervir. A violência conjugal, é um problema social e de saúde pública, portanto, a sociedade tem o dever de acolher a demanda e trata-la com seriedade. Os resquícios da violência, são marcas que acompanham o sujeito, não é só o corpo que fica marcado, mas, os danos emocionais acarretam sofrimento perpétuo, caso não tratados.

   Tanto o violento, como o que sofre a violência, personificam uma dinâmica doentia da qual necessariamente precisa ser quebrantada, anulada e, desnaturalizar a violência é o primeiro passo, a uma trajetória de ressignificação de vida. Por fim a vitimização e, dar luz, a sujeitos protagonistas de uma nova e significante história é um compromisso social, do qual todos estão inseridos. Desvelar a violência, retirar o véu da falta de crítica, e promover ações pertinentes e reveladoras, são a causa primeira, de um viver mais pleno e consciente de si mesmo, portanto, não violar a si mesmo em primeiro lugar é não deixar o outro permanecer algoz da sua vida.
 


Águida Hettwer

05/03/2018
Águida Hettwer
Enviado por Águida Hettwer em 05/03/2018
Alterado em 05/03/2018
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